Milena, tem umas palavras suas que eu sei que um dia vão embora. E é justamente por isso que eu fico tentando guardar.
Você canta toda provocativa: “Não era sapo, nem perereca, era o papai só de sueca”, e eu acho melhor nem corrigir. A música ficou mais sua assim. E, sinceramente, “cueca” já existe em todo canto. “Sueca” só existe na sua boca.
No esconde-esconde é a mesma coisa. Você me encontra e não diz “te achei”. Diz “te procurei”. Como se o mais importante não fosse o fim da brincadeira, mas o caminho até me encontrar.
Outro dia, pedi para você se aquietar. Você olhou para mim e respondeu: “Tô quietada, pai.” Pronto. Eu fiquei sem argumento. Como é que a gente briga com uma menina quietada?
A parte perigosa é que você está aprendendo. Outro dia me achou na brincadeira e disse, toda correta: “Te achei, pai.” Eu deveria ter comemorado. Mas corrigi na hora: “É te procurei, filha.”
O português que me desculpe.
Aqui em casa, por enquanto, eu prefiro o seu.

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