Eu coloquei uma música qualquer para arrumar a sala e, de repente, a sala é que me arrumou. Ela começou a dançar no meio dos brinquedos, com um passo que não queria chegar a lugar nenhum.
Fiquei olhando e quase tive vontade de filmar. Mas alguns dias pedem uma câmera desligada. Não por desprezo ao registro, mas porque o corpo inteiro precisa estar presente para merecer a lembrança.
Quando a música acabou, ela bateu palma para ninguém. Talvez para o som. Talvez para si mesma. Talvez para aquele pedaço de vida que tinha acabado de passar por nós sem pedir explicação.
