Pra Nunca Esquecer

Pra Nunca Esquecer, relatos de pai sobre os dias que ficam
14
dias guardados
calculando
a idade da Milena

Como se fosse a primeira vez

pai e filha sentados no chão da sala ao amanhecer, ele com olheiras e ela sorrindo enquanto segura um brinquedo

Filha, desde que você nasceu, ouviu muito “eu te amo” por aqui. De mim, da sua mãe, da casa inteira. Talvez por isso, amar tenha virado uma coisa fácil pra você. Você sente e fala. Sem ensaio, sem rodeio, sem se preocupar muito com o coração dos adultos.

E você ama com tanta intensidade que, às vezes, parece não conseguir dividir o amor.

Ora está comigo, naquele xodó, grudada como se eu fosse seu lugar preferido no mundo. Aí sua mãe aparece e você solta, com a maior naturalidade:

“Eu não te amo. Só amo meu pai.”

Só que muitas vezes quem recebe a negativa sou eu.

No começo, doía. Confesso.

O início do seu dia quase sempre é comigo. Nessas madrugadas de seis e pouco da manhã em que você acorda pronta para viver, e eu acordo tentando entender onde estou. Porque, por mais que a gente tivesse terminado a noite anterior em grude total, algumas vezes, no dia seguinte parecia que você tinha esquecido tudo. E o nosso primeiro contato era doloroso pra mim. Me olhava séria e me arrematava:

“Não quero você. Quero minha mãe.”

Pronto.

Lá ia eu começar meu processo de conquista diário.

Chegava devagar. Fazia uma graça. Oferecia colo sem forçar. Esperava você normalizar a minha presença e lembrar que eu também fazia parte da sua turma.

Isso me lembrava o filme Como se fosse a primeira vez. Não pela falta de memória, claro. Mas por essa missão diária de conquistar de novo o mesmo amor.

E, algumas vezes, eu me igualava aos seus dois anos e soltava:

“Pois eu que não amo mais você.”

Que tolice, filha.

Ainda bem que pai também cresce. Só cresce mais devagar.

Hoje, você ainda pergunta por sua mãe quando acorda. Mas já olha melhor para esse pai aqui, meio amassado de sono, acordado e operante mesmo com poucas horas dormidas.

E isso, pra mim, já é uma grande conquista.

A conquista das seis da manhã.

O certo é “te procurei”, filha

Milena, tem umas palavras suas que eu sei que um dia vão embora. E é justamente por isso que eu fico tentando guardar.

Você canta toda provocativa: “Não era sapo, nem perereca, era o papai só de sueca”, e eu acho melhor nem corrigir. A música ficou mais sua assim. E, sinceramente, “cueca” já existe em todo canto. “Sueca” só existe na sua boca.

No esconde-esconde é a mesma coisa. Você me encontra e não diz “te achei”. Diz “te procurei”. Como se o mais importante não fosse o fim da brincadeira, mas o caminho até me encontrar.

Outro dia, pedi para você se aquietar. Você olhou para mim e respondeu: “Tô quietada, pai.” Pronto. Eu fiquei sem argumento. Como é que a gente briga com uma menina quietada?

A parte perigosa é que você está aprendendo. Outro dia me achou na brincadeira e disse, toda correta: “Te achei, pai.” Eu deveria ter comemorado. Mas corrigi na hora: “É te procurei, filha.”

O português que me desculpe.

Aqui em casa, por enquanto, eu prefiro o seu.

Primeiro aninho

Meu amor, estamos te curtindo tanto que até esqueci de passar por aqui. Nesse tempo, muita coisa aconteceu… na verdade, com você, todo dia é um acontecimento novo. O primeiro aninho chegou, e eu quis te homenagear com um vídeo que dediquei todo o meu coração. Coloquei cada segundo, cada imagem e cada detalhe com cuidado, mas ainda parece pouco diante do tanto que você merece. Me emocionei a cada cena, porque esse sentimento é difícil de descrever – é felicidade pura e uma gratidão que não cabe em palavras.

Os primeiros passos

Minha filha, minha pequena, meu amor gigante. E agora, aí está você, ensaiando seus primeiros passinhos, explorando o mundo ao seu redor. Cada tentativa sua de caminhar é uma nova descoberta, e nós, que estamos por perto, vibramos com cada movimento seu. Dá para ver a vontade no seu olhar. Cada passo é uma vitória, uma emoção que sentimos junto com você.

Você já fala “papá”, e meu coração quase para toda vez que ouço. Fala “mamãe”, “Lara” – sua priminha, que você adora – e até o “Zeca”, que você ama de paixão. Ver você crescendo e descobrindo essas palavras é uma sensação única. Ter você em nossas vidas, com esse seu sorriso que encanta, com sua gargalhada que transforma qualquer dia, é um privilégio.

Amar você é simples, natural, e cada segundo ao seu lado é precioso.

O papai tá aqui, filha!

Existe tranquilidade na ‘turbulência’

Existe tranquilidade na ‘turbulência’

Nenena,

O papai é publicitário, e a cada dois anos entra numa verdadeira maratona com as eleições. É um período intenso em que eu mergulho de cabeça no trabalho e praticamente desapareço do mundo por uns cinco meses.

Mas dessa vez, tudo está diferente. Essa é, sem dúvida, a melhor turbulência de todas, porque tenho você aqui ao meu lado, aliviando o estresse e me fazendo sorrir o dia inteiro. Agora, com nove meses, você já está esboçando suas primeiras palavrinhas. Começou com “lala”, por causa da sua priminha Lara, que você tanto ama. Depois veio “papa/dada/tata”, após muita insistência desse papai aqui, rsrs.

Com menos de um ano, você já mostra uma personalidade fortíssima. Faz cara de brava quando não consegue o que quer e guarda seus sorrisos somente para os íntimos. E por falar em sorriso, não existe no mundo inteiro uma gargalhada mais gostosa que a sua. Eu enlouqueço ao ouvir e paro tudo para aproveitar o momento.

Trabalhar em casa tem suas vantagens. Ver você engatinhando a toda velocidade, fugindo para o meu escritório para ficar no meu colo, é a melhor parte do meu dia. Isso é mágico! Tudo é mágico com você aqui! Obrigado por existir, minha vidinha!

O papai tá aqui, filha. George