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Hoje, 20 de outubro, você faz três anos, Mileninha. Acho que é a primeira vez que você entende mesmo o seu aniversário. Você percebe que o dia é seu, entende melhor o que está acontecendo e consegue aproveitar sabendo por que estamos comemorando. Fiquei pensando nisso enquanto esperava a data chegar.
Eu não gosto do meu aniversário. Mas, com o seu, me vi cheio de expectativa. Desde o presente que escolhi, imaginando se você ia gostar, até a curiosidade de saber como ia se sentir hoje. Eu queria ver a sua reação. Queria acompanhar você descobrindo o que é fazer aniversário.
E tinha a música. Faço uma pra você todos os anos, mas a deste ano foi a mais especial pra mim. Tive um cuidado que ainda não tinha tido com as outras. Mexi, revi, achei que podia melhorar mais um pouco. Fiquei perfeccionista como nunca. Em alguns momentos, até eu já estava cansado das minhas exigências, mas continuava querendo acertar.
A letra fala de você me puxando pela mão pra mostrar alguma coisa, de querer fazer sozinha o que antes me pedia. São coisas que eu quero guardar de você pequena. Só que, escrevendo, também fui pensando em quando você crescer. Nas histórias que vai ter pra contar, nas vezes em que ainda vai querer colo. Eu gosto de imaginar que a gente vai continuar tendo essas conversas.
Talvez você ainda demore a entender tudo o que eu quis dizer na música. Tem coisa ali que eu escrevi pensando em você maior, ouvindo de novo. Por enquanto, você está fazendo três anos, e eu estou aqui querendo saber se gostou do presente, se está aproveitando o dia, se está feliz. Foi pensando nisso que esperei pelo seu aniversário.
Quero guardar também essa parte, filha: antes de hoje chegar, seu pai já estava todo envolvido. Escolhendo seu presente, implicando com os detalhes da música e imaginando como seria. Eu, que nunca faço muita questão do meu aniversário, fiz uma questão danada do seu.

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